quinta-feira, 20 de agosto de 2020

2020 - Um ano de mudanças

 2020 - Um ano de mudanças 

Este ano de 2020 tem sido realmente um ano de mudanças. 

No dia 9 de Março o meu senhorio disse-me que necessitava da casa, por isso eu tinha que procurar nova casa e que sair. Morava ali há quase 13 anos. 

Imaginem o que é mudar de casa em tempo de pandemia. Procurar nova casa, preparar tudo para a mudança. Até coisas tão simples, como ir ao supermercado pedir umas caixas de cartão, não pude fazer. Tive que fazer a encomenda pela internet, encomenda essa que me foi entregue quase um mês depois. 

Quanto à casa que aluguei, tratei de tudo online e só vi a casa quase um mês depois de ter feito o contrato de arrendamento. Apenas o meu marido tinha visto a casa.

A empresa de mudanças também foi contratada online. 

No dia 26 de Maio lá fiz a mudança. Imaginem o que é encafuar (é o termo correto) coisas que tinha numa casa de 130m2 numa casa de 70m2. Antes da mudança já tinha dado algumas coisas e depois ainda tive que dar mais.

No meio disto tudo a 21 de Março faleceu a minha mãe em Beja e nem ao funeral consegui ir.

Pelo meio ainda, foi detetado um cancro da mama dos terríveis a um familiar muito próximo.

No entanto continuei a dar aulas, desta vez online. Em relação a ma das turmas que tive, no ISMAT, nunca os conheci pessoalmente. Foi estranho mas tudo decorreu da melhor forma.

Como boa notícia, neste período, dois dos meus artigos foram aceites para publicação em revistas científicas.

No meio de tudo isto temos que tentar desanuviar caminhando um pouco pela praia. É o que tento fazer todos os dias.

terça-feira, 17 de março de 2020

A Vida Continua.......






E mais um dia que passa.
Comecei logo pela manhã o meu trabalho online.
Eram 10 da manhã e já tinha um grupo de alunos à minha espera no Skype para lhes dar mais orientações sobre o trabalho de grupo. Enquanto os ia esclarecendo bebi calmamente o meu café da manhã.
Por volta da 11 mais outro grupo de alunos me esperava para trabalho online.
Pelas 12h 30m novo grupo.
Consegui almoçar pelas 14h.
Às 15h tinha à minha espera mais um grupo.
Quando o trabalho terminou havia mails de trabalho para responder: marcação de reuniões online, agendamento de início de aulas online.
Resumindo e concluindo: o meu dia ocupadíssimo como sempre. A única diferença é que não saio de casa.......
Como os meus amigos sabem eu gosto muito de caminhar. Como não o posso fazer, tenho um aparelhómetro para fazer um pouco de step, outro para fazer uns abdominais e uns pesos (leves) para fazer.
E a vida continua.........

segunda-feira, 16 de março de 2020

Isolamento Social

O país, assim como todo o mundo, está a atravessar um momento muito difícil.
Estou em casa, em isolamento social, há quase uma semana (desde o dia 11 de Março). Não sabemos quanto tempo mais teremos que ficar em isolamento social. Apelo a todos os meus amigos que o façam.
As minhas compras neste momento são feitas online. Só saio de casa se for mesmo indispensável. Se não comer uma coisa mais agradável como outra, mas o que interessa é que nos possamos proteger e ajudar a proteger os outros.
Vamos tentar viver o melhor possível.
Agora teremos tempo para nos dedicar a coisas que alegamos com frequência não ter tempo para fazer. Eu tenho alguns trabalhos pendentes e vou aproveitar para me dedicar a eles. Temos que nos adaptar o melhor possível.
Há uns 9 anos eu tive um acidente caseiro sério pois queimei-me. Passei os meus dias de Verão fechada em casa pois não podia sair à rua. E se saía tinha que ir vestida com uma camisola em algodão preta e de gola alta........ nem imaginam o que era andar na rua num dia de calor assim vestida...... Quanto às minhas idas à praia (que eu adorava), apesar de viver numa terra com praia, tiveram que esperar 5 anos...... Tive que repensar acerca das meus gostos....... mas já passou......
A diferença é que agora não sabemos bem o que enfrentamos, mas temos que o fazer com serenidade....... Quem gosta de viajar tem que aguardar melhores tempos....... Se tinham viagem marcada não o façam mesmo que não vos devolvam o dinheiro pois mais vale perder algum dinheiro do que a vida........ talvez esta pandemia faça com que mudemos alguns dos nossos hábitos..... Quem sabe!!!!!
Hoje já trabalhei com um grupo de alunos via Skype e assim terá que ser durante mais uns tempos.....


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Para o meu doce amor: Paulo Braga

Esta mensagem foi escrita há anos

Para o meu doce Amor: Paulo Braga
Um dia, mais precisamente no dia 5 de Fevereiro de 2011, conheci o meu grande amor numa caminhada entre a praia da Maçãs e S. Juliâo. Entre desce arriba e sobe arriba, mais ao menos pela hora do almoço, os nossos caminhos cruzaram-se. E a prova desse encontro é esta foto…..

Creio que me apaixonei por ti assim que te vi ….

Nesse dia no final da caminhada ficámos os dois muito entretidos a conversar enquanto todos os outros foram para um café…… Olhaste para as minhas unhas e quiseste fotografá-las……

No entanto já te tinha fotografado numa caminhada noturna……..

Disse-te que tinha facebook e qual era. No dia seguinte pediste-me amizade e enviaste-me as primeiras fotos.
Combinámos a nossa primeira caminhada a dois que se realizou no dia 9 de Fevereiro, entre a Parede e Cascais. São dessa caminhada estas duas fotos……

Mais uma vez se pode observar a felicidade estampada no meu rosto…..
Dois dias depois estávamos de novo numa caminhada a dois, desta vez o plano era caminharmos do Cais do Sodré até Oeiras. No entanto a chuva trocou-nos os planos e terminámos em Paço de Arcos completamente encharcados. Sempre que nos referimos a esta caminhada o nome que lhe damos é: a caminhada da chuva. A minha foto volta a mostrar o meu sorriso de felicidade enquanto a tua simboliza a grande molha que apanhámos nesse dia.
Cerca de hora e meia depois mandei-lhe uma mensagem que dizia mais ou menos isto: “depois de um duche bem quente e de um chá também bem quentinho estou pronta para dar explicação. Um beijo”. A mensagem que recebi de volta e que adorei foi esta: “Boa explicação. Ana, és única. Beijos”.


Na semana seguinte recomeçaram as minhas aulas e restaram-nos apenas as tardes para caminharmos por Lisboa.

Foi numa dessas tardes que te levei às Vicentinas e adoraste. Mas para mim o momento alto foi quando para me protegeres da chuva me puseste o braço por cima dos ombros…..
Dois dias depois nova caminhada, desta vez em grupo, mas um dos dias mais tristes desde que te conheço…. E tu sabes o motivo, do qual só me apercebi no final da caminhada. Ainda te sorri de felicidade nesta foto que me tiraste.

Depois deste dia estivemos um mês sem nos vermos pois sempre que te convidava dizias que não podias ir. Fiz anos e convidei-te para um café, mais uma vez me disseste que lamentavas mas não podias aparecer. Ficava triste sempre que recusavas um convite meu mas sabia que tinha que ser assim.
No entanto não resistia sempre que te via online no Skype e metia-me contigo. Falámos horas intermináveis algumas vezes até às 4h da manhã. Adorava tanto conversar contigo que até fui comprar um microfone para o computador.
No dia 20 de Março fomos a nova caminhada e tu estavas de novo acompanhado. Afastei-me de ti, não queria sofrer e não te queria causar problemas.

Dias depois, no dia 31 de Março cheguei a casa cansada e furiosa pois tinha tido um exame nesse dia que me correu mal. Abri o meu facebook e vi que estavas online. Meti-me contigo e respondeste-me de uma maneira pouco habitual pois parecia que estavas feliz por me ter metido contigo. Fomos caminhar nessa noite. Fomos até à praia das Avencas e estivemos deitados na areia. Estávamos a conversar quando eu fiz alusão ao facto de teres companhia e tu me disseste que se tivesses não estavas ali comigo. Nem imaginas como fiquei feliz. Uma nova esperança renasceu dentro de mim. Só fiquei um pouco triste porque ficaste muito longe de mim…..
No dia seguinte decidimos terminar a caminhada que não terminámos por causa da chuva e fomos caminhar entre Oeiras e Paço de Arcos. Vê-se bem a felicidade estampada novamente no meu rosto
A parir deste dia tiraste-me fotos lindíssimas. Estava muito feliz, como há muito tempo não o estava.
No dia 22 de Maio tivemos a nossa primeira contrariedade. Um acidente caseiro atirou-me para uma cama de hospital durante uma semana. Quando te disse que ia ficar internada nem imaginas a tua cara de dor. Nessa semana foste incansável comigo e trataste-me mais uma vez com todo o carinho. Até a minha mãe reparou nisso assim como os meus filhos. Ainda hoje estão muito gratos para contigo por verem toda a atenção com que me trataste.
Esta foi a minha última foto uma hora antes do acidente.

E a foto que me tiraste no hospital, onde continuava a sorrir pois eras tu que me tiravas a foto, o meu grande amor.

Saí do hospital e foste tu que ficaste a dar-me todo o teu apoio. A ti devo toda a recuperação que tive. Como foste cuidadoso comigo!!!!!!!!! Ajudaste-me a enfrentar todas as adversidades.
No dia das eleições fomos votar. Foi engraçado passear de chapéu-de-chuva numa praia onde as pessoas estavam estendidas ao sol.

No entanto continuámos a fazer as nossas caminhadas mas agora as caminhadas eram simplesmente noturnas. O nosso negócio passou a ser o negócio do “Lusco Fusco”. Nunca deixámos de sair os dois e de tirar as nossas fotos.

Passei dois meses vestida com camisola preta e com gola alta. Até que um dia vesti a minha primeira camisola colorida. Houve direito a mais uma foto.

Hoje sei que a ti devo toda a minha recuperação. Não sabias como o meu corpo ia ficar e nunca me abandonaste.
Em Setembro foste para os Estados Unidos trabalhar. Falámos horas sem fim no Skype. Eu que sou uma dorminhoca incorrigível levantava-me todos os dias às 6h só para falar contigo. O amor move realmente montanhas.

Houve um dia em que estava com o nariz partido e cansadíssima e por isso adormeci. Ficaste durante duas horas a ver-me dormir. A isso chama-se amor.
Nem imaginas a ansiedade com que eu estava no dia do teu regresso. Como desejava ter-te de novo ao pé de mim!!!!!!!!! Foi o reencontro com muito amor para darmos um ao outro.

Continuámos a caminhar, a fotografar o Pôr do Sol……

Regressaste adoentado e o ano de 2012 foi terrível por esse motivo. Via-te piorar dia a dia e sentia-me impotente para te ajudar. Estive ao teu lado. Desta vez eras tu que precisavas de mim e era eu que tinha que te dar todo o meu apoio. No dia 13 de Dezembro soubemos finalmente o que tinhas e no dia 14 sabíamos que tinhas que ser operado o mais rapidamente possível. Felizmente a operação foi um sucesso. Foste um homem forte. Até brincaste com a situação.

Pouco tempo depois voltámos às nossas caminhadas. Mais uma vez tivemos uma contrariedade e mais uma vez a ultrapassámos com coragem. Continuei a adorar fotografar-te.

Consegui terminar o meu curso e tu foste sempre o meu grande apoio que me dava toda a coragem quando eu pensava que não era capaz de terminar a tese.

Por tudo isto amo-te incondicionalmente. És o grande amor da minha vida, o MEU DOCE AMOR.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

De regresso ao continente

Regressei a Portugal Continental em 1965, aos 9 anos de idade. Ia começar o 4º ano de escolaridade, antiga quarta classe. Regressei à minha terra natal, Mértola. Foi nessa altura que conheci as amigas que mantive ao longo de toda a minha vida: a Célia, a Isabel Godinho, a Bita, a Milú, a Ivone, a Maria Emília Rosa, a Cesaltina, a Conceição Sequeira, o Fernando Pereira, etc. Foram e são amizades que permaneceram ao longo do tempo. Grandes recordações dos verões passados nas azenhas e dos passeios noturnos pela ponte.
Aí permaneci até acabar o 2º ano (hoje 6º ano) no Externato D. sancho II. Nessa altura, eu achava uma injustiça ter que fazer exame quando os alunos que ferquentavam o liceu e tinham a média que eu tinha, estavam dispensados de o fazer. Foi a primeira vez que bati o pé aos meus pais e ganhei. No ano seguinte, aos 12 anos de idade, aí estava eu sozinha em Beja, hospedada em casa de umas pessoas que a minha avó conhecia mas que eu não conhecia de lado nenhum. Apenas se preocupavam se eu vinha comer e a que horas vinha para casa. Se eu ia às aulas ou não, se eu estudava ou não, era responsabilidade minha.
No ano seguinte os meus pais decidiram vir morar para Beja e foi nessa altura que solidifiquei uma outra amizade que se tem mantido ao longo de toda a vida com a minha amida Lurdinhas.
Fiz o liceu nas calmas, dispensei dos exames seguintes e quando terminei o 6º ano (hoje 10º ano) saí do liceu e fui para a escola de Magistério Primário de Beja. Terminei o curso aos 18 anos de idade. Ao mesmo tempo terminei o antigo 7º ano do liceu (hoje 11º ano) como aluna externa.
Fui dar aulas à 6ª classe em Montes Velhos, muito próximo de Aljustrel. Adorei a experiência.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Novas Aventuras

Tinha eu acabado de fazer 5 anos quando começou a guerra em Angola (Março de 1961). Nessa altura o Salazar decidiu reforçar as tropas no Ultramar (como eram designados na altura os PALOP) e pediram voluntários para as outras províncias. O meu pai ofereceu-se como voluntário para S. Tomé e Príncipe. Em Junho lá partiu ele e eu chorei tanto quando no largo principal de Mértola me despedi dele que muitas pessoas presentes me acompanharam no choro.
No final de Dezembro do mesmo ano lá estava eu a embarcar no Príncipe Perfeito com destino a S. Tomé. O que se passou nesse dia foi uma cena que me marcou. Eu estava felicíssima porque sabia que ia ter com o meu pai (com quem tive sempre uma ligação muito especial), mas quando olhava para o cais da Rocha Conde de Óbidos via um mar de gente que chorava e gritava porque se despediam dos seus jovens familiares que iam para a guerra, uma vez que o navio ia cheio de militares. 
Em 1961 não havia em S. Tomé cais acostável. Os navios ficavam ao largo e vinham umas lanchas buscar os passageiros. Normalmente os familiares esperavam que os passageiros chegassem ao cais na lancha. No entanto, quando a primeira lancha atracou ao navio a primeira pessoa a saltar foi o meu pai. Como me lembro de ter saltado de alegria!!!!!!! As saudades que o meu pai tinha de nós eram tantas que nem aguentou esperar no cais por nós.
Entre os 5 e os 9 anos vivi em S. Tomé. Foi lá que fiz a maior parte da minha escola primária (agora primeiro ciclo). Adorei aquela ilha. Prometi um dia voltar e ainda não o fiz. Mais adiante contarei como o destino me trocou as voltas. Quem sabe se esse dia estará próximo!!!!! É um sonho não realizado.
Ainda hoje me lembro das molhas que apanhava quando regressava da escola, pois era frequente chover por volta do meio dia. Também me lembro das açucarinhas (doce tradicional) que comprava por 50 centavos a caminho da escola. Lembro com saudade a praia em frente à minha casa (morava na avenida marginal). Lembro-me com saudades das minhas amigas: A Nandinha, a Nitinha e a Rosa. A minha mãe costuma dizer que foram os melhores anos da vida dela (tem quase 83 anos agora).
Enfim....... Que saudades!!!!!!!!!!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A vida é uma permanente descoberta

Nasci há muitos anos, mais do que 60 anos, mais precisamente quase 62 anos, no Alentejo profundo.
Nasci numa terra lindíssima que se chama Mértola.
O meu pai tinha 32 anos mas a minha mãe era muito jovem, pois tinha feito 10 dias antes 21 anos. Eu era a sua segunda filha. Como era tão jovem a minha mãe achou que eu não deveria nascer. Foi a persistência do meu pai que fez com que eu nascesse. Nasci e realmente era uma bebé linda. Mas nem tudo estava bem como inicialmente parecia. Nasci com Spina Bífida oculta, mas não tão oculta como seria de desejar. Comecei a andar na véspera de fazer 2 anos. Foi duro para uma jovem ter uma filha que não andava e no Alentejo profundo não havia resposta para o problema. Mas andei e só muitos anos depois, quando surgiram novos problemas de saúde se descobriu o que tinha.
Também comecei a falar muito tarde.
No entanto quando entrei na escola já sabia ler.
Fui realmente uma surpresa para os meus pais.