quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Para o meu doce amor: Paulo Braga

Esta mensagem foi escrita há anos

Para o meu doce Amor: Paulo Braga
Um dia, mais precisamente no dia 5 de Fevereiro de 2011, conheci o meu grande amor numa caminhada entre a praia da Maçãs e S. Juliâo. Entre desce arriba e sobe arriba, mais ao menos pela hora do almoço, os nossos caminhos cruzaram-se. E a prova desse encontro é esta foto…..

Creio que me apaixonei por ti assim que te vi ….

Nesse dia no final da caminhada ficámos os dois muito entretidos a conversar enquanto todos os outros foram para um café…… Olhaste para as minhas unhas e quiseste fotografá-las……

No entanto já te tinha fotografado numa caminhada noturna……..

Disse-te que tinha facebook e qual era. No dia seguinte pediste-me amizade e enviaste-me as primeiras fotos.
Combinámos a nossa primeira caminhada a dois que se realizou no dia 9 de Fevereiro, entre a Parede e Cascais. São dessa caminhada estas duas fotos……

Mais uma vez se pode observar a felicidade estampada no meu rosto…..
Dois dias depois estávamos de novo numa caminhada a dois, desta vez o plano era caminharmos do Cais do Sodré até Oeiras. No entanto a chuva trocou-nos os planos e terminámos em Paço de Arcos completamente encharcados. Sempre que nos referimos a esta caminhada o nome que lhe damos é: a caminhada da chuva. A minha foto volta a mostrar o meu sorriso de felicidade enquanto a tua simboliza a grande molha que apanhámos nesse dia.
Cerca de hora e meia depois mandei-lhe uma mensagem que dizia mais ou menos isto: “depois de um duche bem quente e de um chá também bem quentinho estou pronta para dar explicação. Um beijo”. A mensagem que recebi de volta e que adorei foi esta: “Boa explicação. Ana, és única. Beijos”.


Na semana seguinte recomeçaram as minhas aulas e restaram-nos apenas as tardes para caminharmos por Lisboa.

Foi numa dessas tardes que te levei às Vicentinas e adoraste. Mas para mim o momento alto foi quando para me protegeres da chuva me puseste o braço por cima dos ombros…..
Dois dias depois nova caminhada, desta vez em grupo, mas um dos dias mais tristes desde que te conheço…. E tu sabes o motivo, do qual só me apercebi no final da caminhada. Ainda te sorri de felicidade nesta foto que me tiraste.

Depois deste dia estivemos um mês sem nos vermos pois sempre que te convidava dizias que não podias ir. Fiz anos e convidei-te para um café, mais uma vez me disseste que lamentavas mas não podias aparecer. Ficava triste sempre que recusavas um convite meu mas sabia que tinha que ser assim.
No entanto não resistia sempre que te via online no Skype e metia-me contigo. Falámos horas intermináveis algumas vezes até às 4h da manhã. Adorava tanto conversar contigo que até fui comprar um microfone para o computador.
No dia 20 de Março fomos a nova caminhada e tu estavas de novo acompanhado. Afastei-me de ti, não queria sofrer e não te queria causar problemas.

Dias depois, no dia 31 de Março cheguei a casa cansada e furiosa pois tinha tido um exame nesse dia que me correu mal. Abri o meu facebook e vi que estavas online. Meti-me contigo e respondeste-me de uma maneira pouco habitual pois parecia que estavas feliz por me ter metido contigo. Fomos caminhar nessa noite. Fomos até à praia das Avencas e estivemos deitados na areia. Estávamos a conversar quando eu fiz alusão ao facto de teres companhia e tu me disseste que se tivesses não estavas ali comigo. Nem imaginas como fiquei feliz. Uma nova esperança renasceu dentro de mim. Só fiquei um pouco triste porque ficaste muito longe de mim…..
No dia seguinte decidimos terminar a caminhada que não terminámos por causa da chuva e fomos caminhar entre Oeiras e Paço de Arcos. Vê-se bem a felicidade estampada novamente no meu rosto
A parir deste dia tiraste-me fotos lindíssimas. Estava muito feliz, como há muito tempo não o estava.
No dia 22 de Maio tivemos a nossa primeira contrariedade. Um acidente caseiro atirou-me para uma cama de hospital durante uma semana. Quando te disse que ia ficar internada nem imaginas a tua cara de dor. Nessa semana foste incansável comigo e trataste-me mais uma vez com todo o carinho. Até a minha mãe reparou nisso assim como os meus filhos. Ainda hoje estão muito gratos para contigo por verem toda a atenção com que me trataste.
Esta foi a minha última foto uma hora antes do acidente.

E a foto que me tiraste no hospital, onde continuava a sorrir pois eras tu que me tiravas a foto, o meu grande amor.

Saí do hospital e foste tu que ficaste a dar-me todo o teu apoio. A ti devo toda a recuperação que tive. Como foste cuidadoso comigo!!!!!!!!! Ajudaste-me a enfrentar todas as adversidades.
No dia das eleições fomos votar. Foi engraçado passear de chapéu-de-chuva numa praia onde as pessoas estavam estendidas ao sol.

No entanto continuámos a fazer as nossas caminhadas mas agora as caminhadas eram simplesmente noturnas. O nosso negócio passou a ser o negócio do “Lusco Fusco”. Nunca deixámos de sair os dois e de tirar as nossas fotos.

Passei dois meses vestida com camisola preta e com gola alta. Até que um dia vesti a minha primeira camisola colorida. Houve direito a mais uma foto.

Hoje sei que a ti devo toda a minha recuperação. Não sabias como o meu corpo ia ficar e nunca me abandonaste.
Em Setembro foste para os Estados Unidos trabalhar. Falámos horas sem fim no Skype. Eu que sou uma dorminhoca incorrigível levantava-me todos os dias às 6h só para falar contigo. O amor move realmente montanhas.

Houve um dia em que estava com o nariz partido e cansadíssima e por isso adormeci. Ficaste durante duas horas a ver-me dormir. A isso chama-se amor.
Nem imaginas a ansiedade com que eu estava no dia do teu regresso. Como desejava ter-te de novo ao pé de mim!!!!!!!!! Foi o reencontro com muito amor para darmos um ao outro.

Continuámos a caminhar, a fotografar o Pôr do Sol……

Regressaste adoentado e o ano de 2012 foi terrível por esse motivo. Via-te piorar dia a dia e sentia-me impotente para te ajudar. Estive ao teu lado. Desta vez eras tu que precisavas de mim e era eu que tinha que te dar todo o meu apoio. No dia 13 de Dezembro soubemos finalmente o que tinhas e no dia 14 sabíamos que tinhas que ser operado o mais rapidamente possível. Felizmente a operação foi um sucesso. Foste um homem forte. Até brincaste com a situação.

Pouco tempo depois voltámos às nossas caminhadas. Mais uma vez tivemos uma contrariedade e mais uma vez a ultrapassámos com coragem. Continuei a adorar fotografar-te.

Consegui terminar o meu curso e tu foste sempre o meu grande apoio que me dava toda a coragem quando eu pensava que não era capaz de terminar a tese.

Por tudo isto amo-te incondicionalmente. És o grande amor da minha vida, o MEU DOCE AMOR.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

De regresso ao continente

Regressei a Portugal Continental em 1965, aos 9 anos de idade. Ia começar o 4º ano de escolaridade, antiga quarta classe. Regressei à minha terra natal, Mértola. Foi nessa altura que conheci as amigas que mantive ao longo de toda a minha vida: a Célia, a Isabel Godinho, a Bita, a Milú, a Ivone, a Maria Emília Rosa, a Cesaltina, a Conceição Sequeira, o Fernando Pereira, etc. Foram e são amizades que permaneceram ao longo do tempo. Grandes recordações dos verões passados nas azenhas e dos passeios noturnos pela ponte.
Aí permaneci até acabar o 2º ano (hoje 6º ano) no Externato D. sancho II. Nessa altura, eu achava uma injustiça ter que fazer exame quando os alunos que ferquentavam o liceu e tinham a média que eu tinha, estavam dispensados de o fazer. Foi a primeira vez que bati o pé aos meus pais e ganhei. No ano seguinte, aos 12 anos de idade, aí estava eu sozinha em Beja, hospedada em casa de umas pessoas que a minha avó conhecia mas que eu não conhecia de lado nenhum. Apenas se preocupavam se eu vinha comer e a que horas vinha para casa. Se eu ia às aulas ou não, se eu estudava ou não, era responsabilidade minha.
No ano seguinte os meus pais decidiram vir morar para Beja e foi nessa altura que solidifiquei uma outra amizade que se tem mantido ao longo de toda a vida com a minha amida Lurdinhas.
Fiz o liceu nas calmas, dispensei dos exames seguintes e quando terminei o 6º ano (hoje 10º ano) saí do liceu e fui para a escola de Magistério Primário de Beja. Terminei o curso aos 18 anos de idade. Ao mesmo tempo terminei o antigo 7º ano do liceu (hoje 11º ano) como aluna externa.
Fui dar aulas à 6ª classe em Montes Velhos, muito próximo de Aljustrel. Adorei a experiência.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Novas Aventuras

Tinha eu acabado de fazer 5 anos quando começou a guerra em Angola (Março de 1961). Nessa altura o Salazar decidiu reforçar as tropas no Ultramar (como eram designados na altura os PALOP) e pediram voluntários para as outras províncias. O meu pai ofereceu-se como voluntário para S. Tomé e Príncipe. Em Junho lá partiu ele e eu chorei tanto quando no largo principal de Mértola me despedi dele que muitas pessoas presentes me acompanharam no choro.
No final de Dezembro do mesmo ano lá estava eu a embarcar no Príncipe Perfeito com destino a S. Tomé. O que se passou nesse dia foi uma cena que me marcou. Eu estava felicíssima porque sabia que ia ter com o meu pai (com quem tive sempre uma ligação muito especial), mas quando olhava para o cais da Rocha Conde de Óbidos via um mar de gente que chorava e gritava porque se despediam dos seus jovens familiares que iam para a guerra, uma vez que o navio ia cheio de militares. 
Em 1961 não havia em S. Tomé cais acostável. Os navios ficavam ao largo e vinham umas lanchas buscar os passageiros. Normalmente os familiares esperavam que os passageiros chegassem ao cais na lancha. No entanto, quando a primeira lancha atracou ao navio a primeira pessoa a saltar foi o meu pai. Como me lembro de ter saltado de alegria!!!!!!! As saudades que o meu pai tinha de nós eram tantas que nem aguentou esperar no cais por nós.
Entre os 5 e os 9 anos vivi em S. Tomé. Foi lá que fiz a maior parte da minha escola primária (agora primeiro ciclo). Adorei aquela ilha. Prometi um dia voltar e ainda não o fiz. Mais adiante contarei como o destino me trocou as voltas. Quem sabe se esse dia estará próximo!!!!! É um sonho não realizado.
Ainda hoje me lembro das molhas que apanhava quando regressava da escola, pois era frequente chover por volta do meio dia. Também me lembro das açucarinhas (doce tradicional) que comprava por 50 centavos a caminho da escola. Lembro com saudade a praia em frente à minha casa (morava na avenida marginal). Lembro-me com saudades das minhas amigas: A Nandinha, a Nitinha e a Rosa. A minha mãe costuma dizer que foram os melhores anos da vida dela (tem quase 83 anos agora).
Enfim....... Que saudades!!!!!!!!!!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A vida é uma permanente descoberta

Nasci há muitos anos, mais do que 60 anos, mais precisamente quase 62 anos, no Alentejo profundo.
Nasci numa terra lindíssima que se chama Mértola.
O meu pai tinha 32 anos mas a minha mãe era muito jovem, pois tinha feito 10 dias antes 21 anos. Eu era a sua segunda filha. Como era tão jovem a minha mãe achou que eu não deveria nascer. Foi a persistência do meu pai que fez com que eu nascesse. Nasci e realmente era uma bebé linda. Mas nem tudo estava bem como inicialmente parecia. Nasci com Spina Bífida oculta, mas não tão oculta como seria de desejar. Comecei a andar na véspera de fazer 2 anos. Foi duro para uma jovem ter uma filha que não andava e no Alentejo profundo não havia resposta para o problema. Mas andei e só muitos anos depois, quando surgiram novos problemas de saúde se descobriu o que tinha.
Também comecei a falar muito tarde.
No entanto quando entrei na escola já sabia ler.
Fui realmente uma surpresa para os meus pais.