No final de Dezembro do mesmo ano lá estava eu a embarcar no Príncipe Perfeito com destino a S. Tomé. O que se passou nesse dia foi uma cena que me marcou. Eu estava felicíssima porque sabia que ia ter com o meu pai (com quem tive sempre uma ligação muito especial), mas quando olhava para o cais da Rocha Conde de Óbidos via um mar de gente que chorava e gritava porque se despediam dos seus jovens familiares que iam para a guerra, uma vez que o navio ia cheio de militares.
Em 1961 não havia em S. Tomé cais acostável. Os navios ficavam ao largo e vinham umas lanchas buscar os passageiros. Normalmente os familiares esperavam que os passageiros chegassem ao cais na lancha. No entanto, quando a primeira lancha atracou ao navio a primeira pessoa a saltar foi o meu pai. Como me lembro de ter saltado de alegria!!!!!!! As saudades que o meu pai tinha de nós eram tantas que nem aguentou esperar no cais por nós.
Entre os 5 e os 9 anos vivi em S. Tomé. Foi lá que fiz a maior parte da minha escola primária (agora primeiro ciclo). Adorei aquela ilha. Prometi um dia voltar e ainda não o fiz. Mais adiante contarei como o destino me trocou as voltas. Quem sabe se esse dia estará próximo!!!!! É um sonho não realizado.
Ainda hoje me lembro das molhas que apanhava quando regressava da escola, pois era frequente chover por volta do meio dia. Também me lembro das açucarinhas (doce tradicional) que comprava por 50 centavos a caminho da escola. Lembro com saudade a praia em frente à minha casa (morava na avenida marginal). Lembro-me com saudades das minhas amigas: A Nandinha, a Nitinha e a Rosa. A minha mãe costuma dizer que foram os melhores anos da vida dela (tem quase 83 anos agora).
Enfim....... Que saudades!!!!!!!!!!
Enfim....... Que saudades!!!!!!!!!!

